
Olá pessoal, hoje me deu vontade de colocar no papel ou melhor na internet (penso em futuramente em transformar esses posts num livro) pouco mais sobre minha meta de mudar para Portugal.
Embora o título do blog chama-se: "fui para Portugal", ainda me encontro no país onde as coisas pouco acontecem. É natural que quando estamos com a ideia fixa de mudar sempre encontramos, ou melhor, evidenciamos (porque eles sempre existiram) mais problemas, e comigo não é diferente. Questões como: poluição, educação, violência, política, saúde, infra-estrutura, desrespeito, em fim várias, e que me fazem refletir e tomar consciência das razões que me fizeram fazer essa escolha, que não é fácil.
Nesse final de semana durante uma festa de casamento soube por alto que um dos convidados era Português e já mora no Brasil alguns anos e diz que nunca mais voltará para Portugal e que lá é um lixo. Bem, não sei a história dele, o que fazia, onde morava, em fim, é preciso entender que nenhum lugar é perfeito, a final não existe país com IDH 100% (Portugal é o 43 entre, contra a posição 75 do Brasil os 188 países).
Meu pai é português, minha sogra é portuguesa, meu sogro italiano, minha avó materna era espanhola e meu avô materno italiano, e porque esses e milhares de estrangeiros saíram de seus "ótimos" países e vieram para o Brasil? Em busca de um sonho, de oportunidades que não encontravam durante guerras e pós-guerras, esse era o contexto em que viviam, portanto é necessário entender o contexto e não simplesmente o país, as vezes os motivos são familiares, falta de oportunidade ou qualidade (meu caso) em fim não se pode julgar um país por alguns nativos, para alguns o Brasil está ótimo! Para mim, não. Então, os incomodados que se mudem não é assim? E a decisão de mudar de país, ao invés de cidade ou estado, é que acredito que o problema está na raiz, ou seja, na cultura do "jeitinho brasileiro", na falta de educação e respeito ao próximo, no individualismo.
Ouvi certa vez o humorista Carioca falar que o brasileiro só se preocupa da "porta para dentro" enquanto os países de primeiro mundo da "porta para fora", e quando isso vai mudar? Agora se o seu problema é com a "crise econômica" não se iluda porque tem países que assim como Portugal não está grande coisa.
E porque escolhi Portugal? Sempre digo que não acredito em destino e que nós é quem fazemos as escolhas, certas ou erradas, de mudar ou ficar parado, e comigo não foi diferente. A ideia embrionária era de ir para Holanda, onde tenho um grande amigo que comentei no post anterior que me ajudaria na minha instalação, moradia e emprego. Ao pesquisar muito em blogs e vlogs onde é retratado diversas experiências, boas e ruins (para mim as mais importantes pois posso evitá-las ou me preparar), criei como base 4 fatores de risco para qualquer mudança seja ela dentro ou fora do país, são elas:
1 - Legalidade: é de extrema importância que o que você está fazendo seja de forma legal, embora a gente saiba de inúmeros casos de imigrantes ilegais que deram certo, trata-se de uma minoria que "comeu o pão que o diabo amassou" pois se sujeitou a "sub-empregos" e diversas restrições, bem como o medo de ir e vir. Eu não acho uma boa ideia, pois você já começa errado e a probabilidade de terminar errado é muito grande. Portanto esqueça o "jeitinho brasileiro" e faça da maneira correta. O fato de eu e minha esposa termos a dupla cidadania portuguesa foi determinante para a toma da decisão de ir para a Europa (visto que fazendo parte da União Europeia, você tem a mesma liberdade);
2 - Sociabilização: é que você conheça no mínimo 1 pessoa onde você pretende ir (de preferência um local, ou um estrangeiro com muita experiência), pois será ela que te ensinará de uma forma mais suave os seus direitos e deveres como cidadão, e também te integrará a sociedade apresentando pessoas. Isso é tão importante quanto a legalidade, pois o teu sucesso depende disso a menos que queira viver às margens da sociedade ou aprender do pior jeito, com os erros.
3 - Estabilidade: é complicado, pois bem, toda mudança ou seja sair da zona de conforto, gera uma instabilidade (no português claro: trocar o certo pelo incerto), esse é o meu calcanhar de aquiles pois tenho uma vida estável aqui no Brasil, tenho uma família (a preocupação dobra), brinco que seria melhor se não tivesse nada pois não teria o que perder (esse é o grande motivador das pessoas que se mudam, assim como nossos país e avós quando mudaram). Mas assim como um investimento, é necessário calcular riscos e pensar em como se manter sem precisar pedir "esmolas" para aquela pessoa anterior (por mais que ela queira te ajudar), e não adianta vir com aquela história: "chegando lá eu vejo", é mais um dito brasileiro do poeta Zeca Pagodinho "deixa a vida me levar", FURADA! Leve dinheiro para se manter pelo menos 6 meses sem renda, pense como fazer, se possível com entrevistas marcadas ou até mesmo emprego em vista, mesmo que não seja o que você queira para sua vida, mas que seja um começo.

4 - Adaptação: e não menos importante, é necessário que você escolha um lugar que além de condizer com seus objetivos de vida (post anterior), seja possível você se adaptar de forma agradável, para que não seja tortuoso a mudança e que te faça querer voltar para o Brasil, são 5 os pontos à se considerar:
a) Língua: falar inglês é um problema para você? (para mim é) então pense em países de origem latim (Espanha e Itália), pois o Português tem a mesma base, pois pense que a comunicação é a base de tudo;
b) Clima: temperaturas de -10C é um problema para você? Mesmo que você pense que é só durante o inverno e os imóveis tem aquecimento ou estrutura térmica, você terá que sair. Isso me faz pensar numa crônica antiga e engraçada (
http://www.mdig.com.br/?itemid=994) em que o brasileiro que foi para a Pensilvânia relata a neve no primeiro dia como algo fantástico e no final como algo terrível;
c) Gastronomia: evidente que água é igual em todo lugar do mundo (não é, tem diferenças mais são poucas), porém a comida é bem diferente, e por mais que a gente saiba disso, não pensamos o quão é importante. Embora seja algo que possamos nos adaptar (a final com fome comemos qualquer coisa), escolha um local onde você encontre opções para se manter nutrido, a final uma boa saúde depende de uma boa nutrição, e você não quer viver doente não é mesmo? Lembrei agora de um ex-jogador de futebol (acho que o Viola) que quando jogou durante 1 ano no campeonato chinês, ele só comeu pizza, ele só fez isso pelo dinheiro e porque ele sabia que seria passageiro.
d) Xenofobia: o que é isso? É o preconceito com estrangeiro, prepare-se isso tem! Alguns lugares mais e outros menos, e aqui no Brasil não é diferente, não chamamos um português pelo nome e sim de "portuga", caçoamos fazendo piadas, em fim. E lá na Europa não é diferente, até porque uma parte dos brasileiros que para lá vão, são ilegais, bandidos, prostitutas, e por conta de um todos pagam o pato. Porém no meu caso como tenho a cidadania portuguesa, na Holanda seria um estrangeiro (embora seja um país com diversas nacionalidades misturadas), já em Portugal com um cartão cidadão e o sotaque já fica mais fácil, mas continuo sendo estrangeiro.
e) Gostos: algo mais genérico, porém importante como: música, esporte, lazer, cultura, pois assim como a gastronomia que destaquei anteriormente, os demais são critérios importantes para definir a permanência no novo local e não se sentir um "peixe fora d'água". Não pense que você poderá levar seus gostos para qualquer lugar, a menos que viva numa bolha. Até mesmo no Brasil, se você não gosta de axé não vá para Bahia, se não gosta de carnaval e praia não vá para o Rio de Janeiro, pensem nisso, para depois não ficar com vontade de voltar para o lugar onde "era ruim mas era bom".
Contudo, eu teria solucionado os 3 fatores de risco, indo para a Holanda, até mesmo porque irei fazer um investimento lá (que é mais rentável), mas o quarto fator pesou para que eu escolhesse Portugal e mais precisamente Porto para morar, além de ter um custo de vida muito mais barato com o meu rendimento da Holanda e até mesmo no Brasil (que é relativo com o seu ganho). Não importa o quanto você ganha e sim o quanto faz com o que ganha, o que um casal com 2 salários mínimos no Brasil (aprox. R$1500,00) faz no Brasil? Em Portugal com dois salários mínimos (1000 euros), até onde pesquisei você paga as despesas e sobra para 300 euros para comprar carro (juros de 3% ao ano novo), restaurantes, comprar roupas e juntar um pouco. Parece piada, mas um casal que conheço ganha 1000 euros vem ao Brasil 1 vez ao ano visitar a família.
| Custo de vida em Portugal, no Porto, para um CASAL. |
| Apartamento | €400 |
| Comida | €150 |
| Luz | €60 |
| Agua | €30 |
| Combo Internet, TV e etc. | €60 |
| Total | €700 |
Abraços e até a próxima!