Embora o título do blog chama-se: "fui para Portugal", ainda me encontro no país onde as coisas pouco acontecem. É natural que quando estamos com a ideia fixa de mudar sempre encontramos, ou melhor, evidenciamos (porque eles sempre existiram) mais problemas, e comigo não é diferente. Questões como: poluição, educação, violência, política, saúde, infra-estrutura, desrespeito, em fim várias, e que me fazem refletir e tomar consciência das razões que me fizeram fazer essa escolha, que não é fácil.
Meu pai é português, minha sogra é portuguesa, meu sogro italiano, minha avó materna era espanhola e meu avô materno italiano, e porque esses e milhares de estrangeiros saíram de seus "ótimos" países e vieram para o Brasil? Em busca de um sonho, de oportunidades que não encontravam durante guerras e pós-guerras, esse era o contexto em que viviam, portanto é necessário entender o contexto e não simplesmente o país, as vezes os motivos são familiares, falta de oportunidade ou qualidade (meu caso) em fim não se pode julgar um país por alguns nativos, para alguns o Brasil está ótimo! Para mim, não. Então, os incomodados que se mudem não é assim? E a decisão de mudar de país, ao invés de cidade ou estado, é que acredito que o problema está na raiz, ou seja, na cultura do "jeitinho brasileiro", na falta de educação e respeito ao próximo, no individualismo.
Ouvi certa vez o humorista Carioca falar que o brasileiro só se preocupa da "porta para dentro" enquanto os países de primeiro mundo da "porta para fora", e quando isso vai mudar? Agora se o seu problema é com a "crise econômica" não se iluda porque tem países que assim como Portugal não está grande coisa.
E porque escolhi Portugal? Sempre digo que não acredito em destino e que nós é quem fazemos as escolhas, certas ou erradas, de mudar ou ficar parado, e comigo não foi diferente. A ideia embrionária era de ir para Holanda, onde tenho um grande amigo que comentei no post anterior que me ajudaria na minha instalação, moradia e emprego. Ao pesquisar muito em blogs e vlogs onde é retratado diversas experiências, boas e ruins (para mim as mais importantes pois posso evitá-las ou me preparar), criei como base 4 fatores de risco para qualquer mudança seja ela dentro ou fora do país, são elas:
1 - Legalidade: é de extrema importância que o que você está fazendo seja de forma legal, embora a gente saiba de inúmeros casos de imigrantes ilegais que deram certo, trata-se de uma minoria que "comeu o pão que o diabo amassou" pois se sujeitou a "sub-empregos" e diversas restrições, bem como o medo de ir e vir. Eu não acho uma boa ideia, pois você já começa errado e a probabilidade de terminar errado é muito grande. Portanto esqueça o "jeitinho brasileiro" e faça da maneira correta. O fato de eu e minha esposa termos a dupla cidadania portuguesa foi determinante para a toma da decisão de ir para a Europa (visto que fazendo parte da União Europeia, você tem a mesma liberdade);
2 - Sociabilização: é que você conheça no mínimo 1 pessoa onde você pretende ir (de preferência um local, ou um estrangeiro com muita experiência), pois será ela que te ensinará de uma forma mais suave os seus direitos e deveres como cidadão, e também te integrará a sociedade apresentando pessoas. Isso é tão importante quanto a legalidade, pois o teu sucesso depende disso a menos que queira viver às margens da sociedade ou aprender do pior jeito, com os erros.
3 - Estabilidade: é complicado, pois bem, toda mudança ou seja sair da zona de conforto, gera uma instabilidade (no português claro: trocar o certo pelo incerto), esse é o meu calcanhar de aquiles pois tenho uma vida estável aqui no Brasil, tenho uma família (a preocupação dobra), brinco que seria melhor se não tivesse nada pois não teria o que perder (esse é o grande motivador das pessoas que se mudam, assim como nossos país e avós quando mudaram). Mas assim como um investimento, é necessário calcular riscos e pensar em como se manter sem precisar pedir "esmolas" para aquela pessoa anterior (por mais que ela queira te ajudar), e não adianta vir com aquela história: "chegando lá eu vejo", é mais um dito brasileiro do poeta Zeca Pagodinho "deixa a vida me levar", FURADA! Leve dinheiro para se manter pelo menos 6 meses sem renda, pense como fazer, se possível com entrevistas marcadas ou até mesmo emprego em vista, mesmo que não seja o que você queira para sua vida, mas que seja um começo.
a) Língua: falar inglês é um problema para você? (para mim é) então pense em países de origem latim (Espanha e Itália), pois o Português tem a mesma base, pois pense que a comunicação é a base de tudo;
b) Clima: temperaturas de -10C é um problema para você? Mesmo que você pense que é só durante o inverno e os imóveis tem aquecimento ou estrutura térmica, você terá que sair. Isso me faz pensar numa crônica antiga e engraçada (http://www.mdig.com.br/?itemid=994) em que o brasileiro que foi para a Pensilvânia relata a neve no primeiro dia como algo fantástico e no final como algo terrível;
c) Gastronomia: evidente que água é igual em todo lugar do mundo (não é, tem diferenças mais são poucas), porém a comida é bem diferente, e por mais que a gente saiba disso, não pensamos o quão é importante. Embora seja algo que possamos nos adaptar (a final com fome comemos qualquer coisa), escolha um local onde você encontre opções para se manter nutrido, a final uma boa saúde depende de uma boa nutrição, e você não quer viver doente não é mesmo? Lembrei agora de um ex-jogador de futebol (acho que o Viola) que quando jogou durante 1 ano no campeonato chinês, ele só comeu pizza, ele só fez isso pelo dinheiro e porque ele sabia que seria passageiro.
d) Xenofobia: o que é isso? É o preconceito com estrangeiro, prepare-se isso tem! Alguns lugares mais e outros menos, e aqui no Brasil não é diferente, não chamamos um português pelo nome e sim de "portuga", caçoamos fazendo piadas, em fim. E lá na Europa não é diferente, até porque uma parte dos brasileiros que para lá vão, são ilegais, bandidos, prostitutas, e por conta de um todos pagam o pato. Porém no meu caso como tenho a cidadania portuguesa, na Holanda seria um estrangeiro (embora seja um país com diversas nacionalidades misturadas), já em Portugal com um cartão cidadão e o sotaque já fica mais fácil, mas continuo sendo estrangeiro.
e) Gostos: algo mais genérico, porém importante como: música, esporte, lazer, cultura, pois assim como a gastronomia que destaquei anteriormente, os demais são critérios importantes para definir a permanência no novo local e não se sentir um "peixe fora d'água". Não pense que você poderá levar seus gostos para qualquer lugar, a menos que viva numa bolha. Até mesmo no Brasil, se você não gosta de axé não vá para Bahia, se não gosta de carnaval e praia não vá para o Rio de Janeiro, pensem nisso, para depois não ficar com vontade de voltar para o lugar onde "era ruim mas era bom".
Contudo, eu teria solucionado os 3 fatores de risco, indo para a Holanda, até mesmo porque irei fazer um investimento lá (que é mais rentável), mas o quarto fator pesou para que eu escolhesse Portugal e mais precisamente Porto para morar, além de ter um custo de vida muito mais barato com o meu rendimento da Holanda e até mesmo no Brasil (que é relativo com o seu ganho). Não importa o quanto você ganha e sim o quanto faz com o que ganha, o que um casal com 2 salários mínimos no Brasil (aprox. R$1500,00) faz no Brasil? Em Portugal com dois salários mínimos (1000 euros), até onde pesquisei você paga as despesas e sobra para 300 euros para comprar carro (juros de 3% ao ano novo), restaurantes, comprar roupas e juntar um pouco. Parece piada, mas um casal que conheço ganha 1000 euros vem ao Brasil 1 vez ao ano visitar a família.
| Custo de vida em Portugal, no Porto, para um CASAL. | |
| Apartamento | €400 |
| Comida | €150 |
| Luz | €60 |
| Agua | €30 |
| Combo Internet, TV e etc. | €60 |
| Total | €700 |
Abraços e até a próxima!
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